Viajar pelas Montanhas Capixabas foi uma daquelas experiências que surpreendem logo nos primeiros quilômetros. Eu já sabia que o Espírito Santo tinha muito mais a oferecer além das praias, mas confesso que não imaginava encontrar um destino tão completo e ao mesmo tempo tão cheio de identidade.
Assim que chegamos à região de Domingos Martins, o ritmo muda naturalmente. A temperatura cai alguns graus, a paisagem ja muda completamente e a vista são só montanhas, e até a vegetação é diferente.
Pedra Azul
A primeira grande parada foi a Pedra Azul — e nenhuma foto faz jus ao que é ver aquela formação rochosa de perto. Um dos aspectos mais fascinantes é perceber como a pedra muda completamente ao longo do dia. Pela manhã, os tons são mais suaves, puxando para o azul claro e o acinzentado. Conforme o sol sobe, surgem nuances de verde e azul mais intenso. No fim da tarde, especialmente próximo ao pôr do sol, a Pedra Azul ganha reflexos dourados e alaranjados que transformam totalmente a paisagem.
Essa mudança acontece por causa dos líquens que cobrem a rocha e refletem a luz de formas diferentes conforme a incidência do sol. A melhor dica é simples: observe a Pedra Azul mais de uma vez no mesmo dia. Ver pela manhã e depois no fim da tarde faz parte da experiência.
A visita ao Parque Estadual da Pedra Azul reforça ainda mais essa conexão com a natureza. Mesmo sem fazer trilhas longas, os mirantes já entregam vistas impressionantes. Para quem gosta de caminhar, há trilhas leves e até piscinas naturais entre as rochas, sempre com acesso controlado — então chegar cedo ajuda bastante.

Ainda na região de Pedra Azul, quase como uma extensão natural do passeio, está a Chocolateria Selah, localizada ao lado da Pedra Azul. A degustação de chocolates artesanais combina perfeitamente com o clima da serra. Chocolates bem equilibrados, sabores marcantes e aquela sensação gostosa de fazer uma pausa sem pressa, apenas aproveitando o momento.
Depois de tanta natureza, a serra convida a desacelerar também pelos sabores. Uma das paradas que mais gostamos foi no Empório Pedra Bonita. A experiência ali vai muito além das prateleiras: a degustação de cafés especiais é um convite para entender o que torna o café capixaba tão reconhecido. Entre aromas, métodos e histórias dos produtores locais, a pausa vira aprendizado — e é praticamente impossível sair sem levar pelo menos um pacote para casa.
O segundo maior Buda do mundo fica nas Montanhas Capixabas
Seguindo viagem pelas montanhas, o roteiro leva até Ibiraçu, onde fica um dos pontos mais surpreendentes do Espírito Santo: o Buda de Ibiraçu. Com cerca de 35 metros de altura, ele é considerado o segundo maior Buda do mundo em posição sentada, sendo inclusive mais alto que o Cristo Redentor.
Mas o impacto vai muito além do tamanho. Independentemente de religião ou crença, o lugar transmite uma paz difícil de explicar. O ambiente é silencioso, amplo e convida naturalmente à contemplação. Não é um lugar para pressa — e talvez por isso funcione tão bem dentro da proposta das Montanhas Capixabas.

Gastronomia italiana, vale a pena?
A influência italiana fica ainda mais clara na mesa. A pizza de polenta do Café Alto da Montanha não é só curiosa, é realmente boa — e combina perfeitamente com o clima da região. É o tipo de refeição para fazer sem pressa, aproveitando o momento, a vista e a conversa.
Quanto tempo ficar no Espírito Santo?
No geral, esse roteiro funciona porque respeita o tempo da viagem. Dá para fazer em dois dias, mas o ideal são pelo menos três para aproveitar sem correr.
Saindo de Vitória, o acesso é fácil pela BR-262, com estradas asfaltadas e bem sinalizadas. Ter um carro facilita bastante para explorar a região com liberdade e fazer paradas espontâneas pelo caminho — que, muitas vezes, acabam sendo as melhores surpresas da viagem.
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No fim das contas, as Montanhas Capixabas revelam um Espírito Santo menos conhecido, mas extremamente autêntico. Um destino para quem entende que viajar bem não é fazer tudo, e sim viver cada parada no ritmo certo.



